2. RESULTADO DO SORTEIO DO LIVRO ANÁLISE DE PONTOS DE FUNÇÃO
O sorteado desta vez foi José Marcos Caligali, de Cuiabá-MT. O próximo sorteio será no
dia 10 de Junho. Para quem ainda não se cadastrou e deseja concorrer, acesse
http://www.fattocs.com.br/sorteio.asp.
P:. Quais as vantagens da APF sobre os Pontos por Caso de Uso (PCU)?
R:.
Em primeiro lugar é preciso desmistificar que somente a técnica do
PCU é adequada para medir sistemas cujos requisitos foram expressos
através de casos de usos. A APF pode ser utilizada normalmente para
estes situações como também para medir sistemas cujos requisitos foram
documentados utilizando outra metodologia.
A seguir são listados algumas vantagens da APF sobre o PCU.
1. O PCU somente pode ser aplicado em projetos de software cuja
especificação tenha sido expressa por casos de uso. A medição da
APF independe da forma como os requisitos do software foram expressos.
Esta vantagem da APF foi citada pelo próprio Gustav Karner em seu
trabalho original "Resource Estimation for Objectory Projects" (1993).
2. Não é possível aplicar o PCU na medição de aplicações existentes
cuja documentação esteja desatualizada ou sequer exista. A
alternativa seria escrever os casos de uso destas aplicações para só
então medí-las! Porém isto tornaria a medição inviável numa análise de
custo x benefício. Com a APF é possível realizar a medição analisando-se
a própria aplicação em uso.
3. Não existe um padrão único para a escrita do caso de uso. Diferentes
estilos na escrita dos caso de uso ou na sua granularidade podem levar
a resultados diferentes na medição por PCU. A medição pela APF dos casos
de uso de um sistema sempre chegará ao mesmo resultado independente do
estilo de escrita dos casos de uso ou de sua granularidade pois a APF
"quebra" o requisito no nível adequado para a medição usando o conceito
de Processo Elementar.
4. Devido ao processo de medição do PCU ser baseado em casos de uso, o
método não pode ser empregado antes de concluída a análise de
requisitos do projeto. Na maioria das vezes há a necessidade de se
obter uma estimativa antes da finalização desta etapa. O processo de
medição da APF também só pode ser empregado após o levantamento dos
requisitos do projeto. Porém existem técnicas estimativas de tamanho
em pontos de função que podem ser aplicadas com sucesso antes da
análise de requisitos ser concluída. Um exemplo são as contagens
indicativa e estimativa propostas pela NESMA.
5. O método do PCU não contempla a medição de projetos de melhoria
(manutenção) de software, somente projetos de desenvolvimento. A APF
contempla a medição de projetos de desenvolvimento, projetos de melhoria e
aplicações. Estes outros tipos de medição cumprem um importante papel
em programas de métricas e na contratação do desenvolvimento de
software.
6. Não existe um grupo de usuários ou organização responsável pela
padronização ou evolução do método PCU; e a bibliografia sobre o
assunto é escassa. Para a APF existe o IFPUG que é o responsável por
manter o Manual de Práticas de Contagem - o padrão da técnica, que
é evoluído continuamente. E também há diversos fóruns de discussão
sobre APF para a troca de experiências.
7. O método PCU não é aderente à norma ISO/IEC 14143 que define um
modelo para a medição funcional de software. A APF, conforme o manual
do IFPUG, está padronizada sob a norma ISO/IEC 20926 como um método
de medição funcional aderente à ISO/IEC 14.143.
8. Não existe um programa de certificação de profissionais que
conheçam a técnica do PCU e saibam aplicá-la de forma adequada.
O IFPUG possui o programa de certificação CFPS para a APF.
9. O fator ambiental inserido no PCU dificulta sua aplicação em
programas de métricas de software e benchmarking entre organizações,
pois torna o tamanho de um projeto variável; sem que sua funcionalidade
sequer mude. Se um mesmo projeto for entregue a duas equipes distintas
a contagem dos pontos por caso de uso deste projeto será também
diferente em cada situação. Ou seja, o mesmo projeto tem dois tamanhos!
10. A determinação dos fatores técnico e ambiental do PCU está sujeita
a um certo grau de subjetividade que dificulta a consistência da
aplicação do método em diferentes organizações. O fator de ajuste da
APF também possui o mesmo problema, embora o IFPUG possua diretrizes
específicas que ajudam a minimizar este impacto. No entanto o uso do
fator de ajuste na APF é opcional e a contagem dos pontos de função
não ajustados atualmente é um processo bem objetivo.
Dentre as desvantagens citadas do PCU em relação à APF, algumas poderiam
ser superadas com alguns ajustes simples.No entanto não há benefício adicional
do PCU sobre a APF. Usar ambos os métodos também não compensaria o custo adicional
de medição.
Embora a APF não seja uma técnica perfeita, há uma maturidade grande no mercado
com relação ao seu uso e o IFPUG trabalha contínuamente para sua evolução.